sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A MEDICINA NAS AMÉRICAS PRÉ-COLOMBIANAS (pdf 5ª AULA temática 2013-2014)

https://dl.dropboxusercontent.com/u/4746082/Escul%C3%A1pio/Hist%C3%B3ria%20da%20Medicina%202013-14/5%C2%AA%20AULA%202013-14%20-%20Medicina%20nas%20Am%C3%A9ricas%20Pr%C3%A9-colombianas.pdf



A Era Pré-colombiana abrange o período entre a fixação do Homo sapiens sapiens no continente Americano, durante o Paleolítico Superior (em data imprecisa, entre 40 000-13 000 antes), e o início da colonização Europeia, em finais do século XV. Durante milénios floresceram no continente Americano, sobretudo na Mesoamérica , muitas civilizações, algumas extintas, que deixaram marcas em povoações permanentes e cidades, obras arquitectónicas monumentais, agricultura desenvolvida, cultura diversificada, organização social e formas de governo complexas, sistemas de escrita, conhecimento da matemática e de outras ciências, em que se incluía a medicina. Entre outras sobressaíram as civilizações Maia (a mais duradoura0) e a Azteca. Na América do sul destacou-se a civilização Inca.
Os Maias, assim como os Aztecas e outros povos do continente americano, acreditavam que a Terra havia sido habitada, antes do homem, por gigantes ou deuses que se sacrificaram para segurar o sol no firmamento. Com esta justificação, o homem teria de ser sacrificado de modo a que o seu sangue continuasse aquele objectivo. Esta crença justificaria as cerimónias sanguinárias que caracterizaram aquelas civilizações, bem como a indiferença perante a morte, por acreditarem no renascimento. Foram construídos altares de sacrifício em múltiplos lugares, onde os sacerdotes se azafamavam em obter sangue e corações ainda palpitantes de humano Os povos Pré-Colombianos, tal como as sociedades primitivas, recorriam à religião, magia e empirismo para combaterem as doenças.
Segundo os preceitos religiosos daquelas épocas, em que toda a vivência humana era regida por forças sobrenaturais, as doenças resultavam de desequilíbrios entre forças positivas (ou favoráveis) e negativas (ou desfavoráveis) impostas por alguns deuses, enquanto outros as podiam impedir. A resolução da doença dependia da identificação da força responsável, a ser expelida ou apaziguada. A magia, associada a danças, oferendas e cânticos, era utilizada para curar muitas doenças atribuídas a encantamentos e feitiçarias lançadas por inimigos. Em lugar secundário intervinha a ciência empírica, através do recurso a plantas, minerais e outros procedimentos que exibiam poderes curativos, tais como clisteres, sangrias e emplastros. Conceptualmente, a medicina era uma mistura de corpo, mente, religião, ritualismo e ciência.
Os Maias atribuíam as doenças à captura da alma do doente por determinado ser sobrenatural, irritado com presumível mau comportamento ou ofensa daquele. A cura exigia que a falta fosse reparada rapidamente através de rituais específicos de limpeza (jejum, sudação ou simulando a extracção de substâncias do corpo doente) e da utilização de um remédio de ervas (por meio de massagem, ingestão, clister, fumado ou aspirado), de modo acalmar ou satisfazer a divindade ofendida. Estas tarefas eram exercidas por indivíduos seleccionados que herdavam a posição e, depois, eram sujeitos a preparação cuidada, de modo a actuarem em dois mundos, o espiritual e o físico, como sacerdotes Recorriam à colaboração de indivíduos que não faziam parte da casta, os hechiceros, para a execução tarefas auxiliares e cirúrgicas.
Os Aztecas também atribuíam as doenças a castigos dos deuses ou a provocações de inimigos; só como última hipótese teriam causa natural. Cada doença era atribuída a uma divindade específica, pelo que o tratamento teria de atender a esta particularidade. A profissão médica era, também entre os Aztecas, uma confraria hereditária, cabendo ao pai a preparação do filho, ainda que este estivesse impedido de exercer enquanto o progenitor estivesse vivo. O curandeiro médico (ticitl) podia ser homem ou mulher e, em qualquer dos casos, o prestígio social que usufruíam era equivalente ao dos artesãos. O ticitl, além de exercer a prática médica, era também o feiticeiro que augurava o futuro pela interpretação de horóscopos. Uma característica da medicina Azteca advinha de ser exercida por especialistas: os ticitl conhecedores de doenças próprias em dada localidade, tratavam com ervas, manipulação externa e acompanhamento por gestos e invocações; os nahualli, administravam substâncias secretas, actuavam com horóscopos, predições e actos religiosos. Acresciam outros profissionais com actividade mais específica: cirurgiões (tetecqui), sangradores (tezoc), parteiras (tlamatqui) e boticários (papiani), além dos responsáveis por partos, tratamento de fracturas ou dos dentes.
No Império Inca , as doenças resultavam, igualmente, de punições pelos deuses ou de magias malignas. Em qualquer dos casos, a resolução da doença dependia da identificação da força responsável, a ser expelida ou apaziguada por intermédio de um curandeiro ou mágico. havia três principais tipos de curandeiros. O primeiro, designado por watukk, tinha por função descobrir a origem da doença e estabelecer os efeitos produzidos a nível somático, emocional e patológico. O segundo tipo, hanpeq, tratava as doenças com misturas de ervas e minerais, e continuava a seguir atentamente o doente depois do tratamento. O terceiro, remunerado, tratava a alma, que se pensava estar localizada no coração, enquanto a saúde do espírito residiria no interior do corpo. Havia ainda outros auxiliares: os sancoyoc tratavam de fracturas, abcessos e tiravam dentes, os hampi camayoc zelavam pelo depósito de remédios autorizados, e os collahuaya forneciam plantas medicinais e amuletos da sorte. No conjunto, não dispensavam alguns rituais, tais como palavras e gestos mágicos, sacrifícios, encantamentos ou adivinhar a sorte. A aprendizagem da arte de curar passava de pai para filho, sendo completada pela frequência de uma escola em Cuzco, onde os alunos eram instruídos a reconhecer e a tratar doenças, esperando-os depois longos anos de prática até serem profissionalmente reconhecidos. Porém, estes profissionais intervinham sobretudo junto da corte e de outras individualidades, enquanto população vulgar procurava tratar-se por si, já que conhecia também a medicação mais usada e o modo de a aplicar.
Os povos Pré-Colombianos, tal como as sociedades primitivas, recorriam prioritariamente à religião e ao panteão dos deuses, à magia e ao empirismo para combaterem as doenças. Em lugar secundário intervinha a ciência empírica, através do recurso a plantas, minerais e outros procedimentos que exibiam poderes curativos, tais como clisteres, sangrias, purgas e emplastros. Acreditavam que a magia, associada a danças, oferendas e cânticos, contribuiria para curar doenças resultantes de encantamentos e feitiçarias lançadas por inimigos. Entre os povos das culturas Pré-colombianas, os remédios feitos de ervas de milhares de espécies constituíam a base do tratamento médico, sob a forma de chás, pomadas e banhos. No entanto, estas técnicas serviam somente para tratar os sintomas, pois que as causas, atribuídas a espíritos malignos, teriam de ser eliminadas pelos rituais próprios já citados.


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