quinta-feira, 22 de maio de 2014

A MEDICINA NA ANTIGA ÍNDIA (pdf 19ª-21ª aulas 2013-14)

https://dl.dropboxusercontent.com/u/4746082/Escul%C3%A1pio/Hist%C3%B3ria%20da%20Medicina%202013-14/19%C2%AA-21%C2%AA%20AULAS%202103-14-.%20Medicina%20da%20Antiga%20%C3%8Dndia.pdf

Ocupação e desenvolvimento da civilização humana no subcontinente Indiano, desde a Idade da Pedra. Vestígios arqueológicos.
Civilização do vale do Indo (ou Período da 1ª Urbanização, c. 3 300- 1 300 aC); vestígios arqueológicos mais antigos, em Harappa e Mohendo-Dara (c. 6 000 aC). Características principais: caligrafia “do Vale do Indo”, organização urbana, artesanato, tecnologias, comércio, religião.Colapso da Civilização do Vale de Indo (desde c. 1 900 aC), a que se seguiu a invasão de imigrantes nómadas Indo-Arianos (a partir de c. 1 750 aC), com fixação no Punjab e posterior miscigenação das duas populações, dando início ao primeiro período da cultura védica e implantação de valores culturais dos Indo-Arianos (idioma, crenças religiosas, organização social em castas). Data deste período a elaboração dos 4 tipos de textos Veda. No período tardio da cultura védica (c. 1 000-500 aC) registou-se a expansão populacional para leste, para as margens do rio Ganges, fundação de inúmeras povoações e substituição da pastorícia pela agricultura. Neste período, que corresponde ao fim da Civilização Védica e início do Período da 2ª Urbanização (800-200aC), surgem os primeiros conceitos filosóficos do Hinduísmo e, c. 600 aC, duas religiões  principais, fundamentadas naqueles princípios, o Budismo e o Jainismo (que tinham como base comum a reincarnação e a libertação espiritual), além de outros cultos com princípios semelhantes, como o Ioga. As povoações converteram-se em cidades e, depois, por via do confronto e anexação territorial, confluíram em unidades políticas mais fortes, de que resultou a formação de 16 reinos Mahajaranpadas (c. 600 aC) que, c. 400 aC, estavam aglutinados apenas em 4 e depois deram origem a um primeiro império, centrado no reino mais forte, Maghada. Por via de sucessivas dinastias, o império expandiu-se (do séc IV ao II, aC) a quase todo o subcontinente Indiano. No séc. VI e IV aC, a parte noroeste do território foi invadida e ocupada, respectivamente, pelos Persas (primeiro de Ciro e, depois, por Dario) e pelos Gregos de Alexandre, o Grande. O contacto com estes povos invasores deixou assinalável legado cultural.
Os primeiros ensinamentos médicos estavam mencionados num dos textos Veda (Atharva-Veda), do qual, com comentários e conceitos posteriores, derivaram os fundamentos da medicina tradicional da Índia, a Ayurveda. Na sua base, a medicina antiga incluía conteúdos racionais sem excluir, todavia, complementos religiosos e mágicos. A Ayurveda fundamenta-se nos 5 elementos naturais da composição do universo, que, através de três tipos de humores (dosha) e respectivo equilíbrio, influenciam a constituição e comportamento humanos. A doença será determinada pelo desequilíbrio dos dosha, enquanto a saúde, subsequente ao seu equilíbrio, reflecte o estado natural de três componentes do ser humano (corpo, mente e alma).Além da Ayurveda, existem outros conceitos e sistemas de medicina na antiga Índia, a Siddha e o Ioga. Na Ayurveda, o diagnóstico inclui a interpretação de presságios e sinais corporais. O tratamento baseia-se numa farmacopeia volumosa essencialmente com recurso a plantas, a serem utilizadas junto com dieta apropriada. Em casos não resolúveis com os anteriores meios era utilizada a cirurgia, com amplo campo de acção, embora com atenção aos pontos vitais (marmas). Há registo de hospitais no século IV aC.
Os médicos (vaidya),somente do género masculino, provinham das três castas mais elevadas e aprendiam até um total de seis com professor. Quando este entendesse, os aprendizes eram propostos para certificação pelo rei, após o que poderiam exercer a profissão. Esta era condicionada pelas Leis de Manu.