Ocupação e desenvolvimento da
civilização humana no subcontinente Indiano, desde a Idade da Pedra. Vestígios
arqueológicos.
Civilização do vale do Indo (ou
Período da 1ª Urbanização, c. 3 300- 1 300 aC); vestígios arqueológicos mais
antigos, em Harappa e Mohendo-Dara (c. 6 000 aC). Características principais:
caligrafia “do Vale do Indo”, organização urbana, artesanato, tecnologias,
comércio, religião.Colapso da Civilização do Vale de Indo (desde c. 1 900 aC),
a que se seguiu a invasão de imigrantes nómadas Indo-Arianos (a partir de c. 1
750 aC), com fixação no Punjab e posterior miscigenação das duas populações,
dando início ao primeiro período da cultura védica e implantação de valores
culturais dos Indo-Arianos (idioma, crenças religiosas, organização social em
castas). Data deste período a elaboração dos 4 tipos de textos Veda. No período
tardio da cultura védica (c. 1 000-500 aC) registou-se a expansão populacional para
leste, para as margens do rio Ganges, fundação de inúmeras povoações e substituição
da pastorícia pela agricultura. Neste período, que corresponde ao fim da
Civilização Védica e início do Período da 2ª Urbanização (800-200aC), surgem os
primeiros conceitos filosóficos do Hinduísmo e, c. 600 aC, duas religiões principais, fundamentadas naqueles
princípios, o Budismo e o Jainismo (que tinham como base comum a reincarnação e
a libertação espiritual), além de outros cultos com princípios semelhantes,
como o Ioga. As povoações converteram-se em cidades e, depois, por via do
confronto e anexação territorial, confluíram em unidades políticas mais fortes,
de que resultou a formação de 16 reinos Mahajaranpadas (c. 600 aC) que, c. 400
aC, estavam aglutinados apenas em 4 e depois deram origem a um primeiro
império, centrado no reino mais forte, Maghada. Por via de sucessivas
dinastias, o império expandiu-se (do séc IV ao II, aC) a quase todo o
subcontinente Indiano. No séc. VI e IV aC, a parte noroeste do território foi
invadida e ocupada, respectivamente, pelos Persas (primeiro de Ciro e, depois,
por Dario) e pelos Gregos de Alexandre, o Grande. O contacto com estes povos
invasores deixou assinalável legado cultural.
Os primeiros ensinamentos médicos
estavam mencionados num dos textos Veda (Atharva-Veda), do qual, com
comentários e conceitos posteriores, derivaram os fundamentos da medicina
tradicional da Índia, a Ayurveda. Na sua base, a medicina antiga incluía
conteúdos racionais sem excluir, todavia, complementos religiosos e mágicos. A
Ayurveda fundamenta-se nos 5 elementos naturais da composição do universo, que,
através de três tipos de humores (dosha)
e respectivo equilíbrio, influenciam a constituição e comportamento humanos. A
doença será determinada pelo desequilíbrio dos dosha, enquanto a saúde, subsequente ao seu equilíbrio, reflecte o
estado natural de três componentes do ser humano (corpo, mente e alma).Além da
Ayurveda, existem outros conceitos e sistemas de medicina na antiga Índia, a
Siddha e o Ioga. Na Ayurveda, o diagnóstico inclui a interpretação de
presságios e sinais corporais. O tratamento baseia-se numa farmacopeia volumosa
essencialmente com recurso a plantas, a serem utilizadas junto com dieta
apropriada. Em casos não resolúveis com os anteriores meios era utilizada a
cirurgia, com amplo campo de acção, embora com atenção aos pontos vitais (marmas). Há registo de hospitais no
século IV aC.
Os médicos (vaidya),somente do género masculino, provinham das três castas mais
elevadas e aprendiam até um total de seis com professor. Quando este
entendesse, os aprendizes eram propostos para certificação pelo rei, após o que
poderiam exercer a profissão. Esta era condicionada pelas Leis de Manu.
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